"Eu já abri as portas, agora só vai ficar quem gostou da casa porque é simples e encontrou, por acaso, algum valor no meio da bagunça. Só fica quem gosta do café, das conversas e do pôr-do-sol. Definitivamente, só fica quem quer; quem encontrou e se encontrou. Aqui é bom, há quem concorde. Contudo, sempre tem quem prefira lá fora. Os novos ventos já estão entrando, as cortinas já estão sorrindo. Dessa vez só fica o que for verdadeiro."
Quando ela Goza.
Arte de Alphonse Mucha Depois de amada, estendeu seu corpo ainda tremendo. Quase chorava de tanto que se expulsou. Quase chorava de tanto que se recebeu de volta. Não me aproximei. Não podia interferir em sua solidão. Dizer o quê? Não podia me aproximar de sua solidão. Dizer o quê? Seus músculos ainda estalavam, o sangue aquecia os ouvidos. Dizer o quê? Qualquer palavra é intrusa. A boca eram seus cabelos boiando. Dizer o quê? O homem deveria se distanciar depois que a mulher goza. Não tomar para si a glória ou o prazer. Não reivindicar autoria. Não sujar a parede com a sua letra. Não cobrar o que não nasceu dele. Deveria ter pudor de pálpebras que se fecham para imaginar. É ela e seu corpo redimidos. É ela e seu corpo abraçados. É ela e seu corpo alinhados como joelhos. É ela devolvida a si, devolvida às alegrias proibidas, às alegrias quando se tocava em segredo. É ela e os medos superados, a culpa liquidada, os seios observando as janelas. A rua da cintura, e a chuva, pa...